China e Estados Unidos, os dois maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, anunciaram conjuntamente na manhã deste sábado, 3, na China (noite de sexta-feira no horário de Brasília), a ratificação do Acordo de Paris, que estabelece esforços do mundo inteiro para reduzir as mudanças climáticas e controlar o aumento da temperatura.

Juntos, os dois países respondem por 38% das emissões do planeta. China é o líder atual, com cerca de 20%, e os EUA, que historicamente assumiram essa posição, respondem hoje por 18%. São os primeiros grandes países a ratificarem o acordo, o que deve acelerar sua implementação em todo o mudo.

Para entrar em vigor, o acordo, estabelecido no ano passado na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-21) em Paris, precisa ser ratificado por 55 países que respondam por 55% das emissões. Até antes do anúncio, 24 países já tinham feito a ratificação, mas eles respondiam por apenas cerca de 1% das emissões. Com o anúncio, essa fatia subiu para 39,06%, segundo informações passadas pelos próprios países à ONU. A expectativa é que se alcance o total necessário até o final do ano. Confira aqui a evolução em tempo real dos países que já ratificaram o acordo.

O compromisso acordado por 195 nações do mundo é de se fazer esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa a fim de que o aumento da temperatura do planeta não passe muito de 1,5ºC, ficando “bem abaixo de 2ºC”.

A China se comprometeu a atingir o pico de emissões de CO2 até 2030, reduzir a intensidade de carbono de sua economia (quanto de carbono é emitido por unidade econômica produzida), aumentar as fontes “não-fósseis” de energia e aumentar os estoques florestais. Os Estados Unidos se comprometeram a reduzir entre 26% e 28% suas emissões até 2025, em relação aos valores de 2005.

De acordo com análise feita pelo Climate Interactive, as duas metas juntas devem responder por 51% das emissões evitadas entre 2016 e 2100 considerando todas os compromissos anunciados pelos demais países.

Além de ser o maior poluidor histórico, a ratificação por parte dos EUA é simbólica porque o país por anos foi considerado o maior entrave a acordos climáticos.

Para o ambientalista brasileiro Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, o anúncio à véspera da reunião do G-20 é uma demonstração de liderança e deve colocar outros grandes poluidores sobre pressão para acelerar seu processo de ratificação.

Brasil. O Brasil, responsável pelo 2,48% das emissões de gás estufa do planeta, já teve o acordo aprovado por Câmara e Senado: o processo de ratificação será provavelmente finalizado neste mês de setembro.

Fonte: Estadão Sustentabilidade