Em 221 dias, a humanidade conseguiu esgotar o orçamento ecológico anual que a Terra garante, isto é, a partir de 8 de Agosto, estaremos consumindo mais recursos que aqueles que o planeta consegue renovar num ano, de acordo com informações da Global Footprint Network, uma organização de pesquisa internacional que tem ajudado o mundo a mudar a forma como usa seus recursos naturais e responde às mudanças climáticas.

O Dia da Sobrecarga da Terra representa o momento a partir do qual a demanda da humanidade sobre a natureza vai além do que o planeta pode regenerar durante um ano. Isso acontece porque emitimos mais dióxido de carbono na atmosfera do que nossos oceanos e florestas podem absorver. Nós também esgotamos pescas e colheitas mais rápido que eles podem se reproduzir e crescer novamente, entre outras coisas. Com os níveis atuais de consumo, seria necessário o equivalente a 1,6 planeta para sustentar a humanidade.

Em 2015, o dia da virada caiu em 13 de agosto marcando a preocupante passagem desse limite. Em 2000, a data em causa ainda estava prevista para setembro. Em 1975, as possibilidades esticavam até novembro. Estamos a cada ano que passa consumindo com maior rapidez aquilo que a Terra nos pode continuar a oferecer.

Apesar do Brasil estar numa situação rara e vantajosa, já que ainda ostenta uma das maiores reservas ecológicas do mundo, graças às vastas áreas florestais situadas em suas fronteiras, nos últimos 50 anos, os recursos florestais diminuíram 9%, enquanto os recursos de terras cultiváveis foram multiplicados por 5,5 e pastagens por 1,5. Em consumo, de acordo com os últimos dados disponíveis (2012), a Pegada Ecológica total do país aumentou 249%.

Em outras palavras, os ecossistemas brasileiros sustentam mais pessoas que usufruem de padrões além da média de consumo, portanto, estendendo para a população mundial o nível de consumo brasileiro atual, seria necessário um planeta de tamanho de 1,8 vezes maior, para sustentar a população global.

Emissões globais de carbono são as maiores contribuintes para a sobrecarga ecológica. A pegada de carbono agora está em 60% do que a humanidade demanda da natureza. Se aderirmos às metas determinadas pelo Acordo de Paris, aprovado por quase 200 países em dezembro de 2015, a pegada de carbono será zero até 2050. Isso pede um novo estilo de vida no nosso único planeta.

A boa notícia é que este “novo estilo de vida” já é possível, graças à tecnologia atual e vantagem financeira, com benefícios globais ultrapassando custos. Setores em ascensão, como energia renovável, incluindo a energia solar fotovoltaica, já estão contribuindo à redução das emissões de carbono.

Felizmente, alguns países estão encarando o desafio. Por exemplo: a Costa Rica gerava 97% de sua eletricidade através de energias renováveis durante os primeiros três meses de 2016. Portugal, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha também mostraram níveis inovadores de capacidade de energia renovável neste ano quando 100% de sua demanda por eletricidade foi atendida por renováveis durante vários minutos. No caso de Portugal, vários dias. O Brasil encarou este desafio e, até 2018, será um dos 20 países líder ao mundo no setor da energia solar, graças aos progressos deste setor e ao crescente interesse que esta forma de gerar energia está tendo entre os brasileiros.

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Fonte: www.overshootday.org